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Quando você deixa de se reconhecer: como a maternidade pode transformar a identidade da mulher e o caminho para se reencontrar.

  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Uma das frases que mais escuto nos atendimentos psicológicos é: “Eu amo ser mãe, mas sinto que não sei mais quem eu sou” ou então “Para onde foi a mulher que eu era antes?”. Muitas vezes a maternidade é vista como uma realização plena, amor incondicional e felicidade constante. No entanto, quase não é dito sobre as profundas mudanças emocionais que ocorrem nesse período.


Quando uma mãe nasce, a versão anterior dessa mulher precisa ser acolhida com carinho para que possa ser ressignificada, afinal, muitas coisas mudam nesse processo, inclusive a identidade. A identidade pode ser compreendida como um conjunto de crenças, valores, papéis, experiências e escolhas diárias. Entender a importância de cada dimensão da sua vida é fundamental para a construção de uma boa saúde mental. Partes como: profissional, amigos, sonhos, relacionamentos, projetos futuros e interesses pessoais, muitas vezes vão precisar serem reorganizados depois da chegada de um filho.


Muitas mulheres acabam entrando intensamente no papel de mãe, que toda a rotina e logística passa a girar em torno das necessidades do bebê, nos primeiros anos de vida desse filho, essa mudança se torna natural, o problema surge quando todos os outros aspectos da identidade dessa mulher deixam de existir, restando unicamente o papel de mãe, com isso, podem surgir a sensação de vazio, desconexão consigo mesma e com os outros, perda da identidade, culpa e sobrecarga emocional.


A culpa tem sido um grande peso carregado por muitas mulheres atualmente, a ideia social de que a “boa mãe” está sempre disponível, dá conta de tudo e todos e ainda encontra plena satisfação em tudo isso, tem contribuído para que as mulheres continuem acreditando que ter um tempo para cuidar de si, descansar, voltar a trabalhar ou retomar uma atividade que gostava antes, é egoísmo e que ao desejarem tudo isso, não amam suficientemente seus filhos e se tornam péssimas mães. Quando na verdade, cuidar de si não é abandonar o filho, mas entender que mães emocionalmente cuidadas, tendem a oferecer um ambiente mais saudável, estável e seguro para que a criança se desenvolva bem.


A sobrecarga emocional e mental também é um fator muito observado no consultório, a carga da rotina, tarefas práticas e a administração dos conflitos familiares podem gerar fadiga emocional, ansiedade, irritabilidade e sensação como se a mente nunca desligasse, sobrando pouca ou nenhuma energia para olhar para si mesma. Quando passamos muito tempo cuidando e atendendo as necessidades dos outros, muitas vezes, perdemos o contato com os próprios desejos e de forma gradual e silenciosa, os interesses pessoais perdem o sentido.


A maternidade transforma mas reconstruir a identidade não significa voltar a ser exatamente como era antes, porém compreender que essa transformação pode revelar novas versões interessantes de si mesma. Na psicoterapia, o objetivo não é recuperar quem você era antes mas integrar todas as partes da sua história: quem você foi, quem você é hoje e quem deseja se tornar.


O reencontro consigo mesma acontece em pequenas escolhas diárias, seja reservando um momento seu, mesmo que breve, seja retomar aquela atividade prazerosa de antes ou se permitir experimentar novas atividades, pedir ajuda e dividir responsabilidades, lembrando que pedir ajuda ou dividir as tarefas não te tornam incapaz mas pode significar uma forma de autocuidado, preservando a sua saúde emocional.


Desenvolver autocompaixão é fundamental, perceber que você está dando o seu melhor, portanto, se critique menos e se acolha mais. Ser mãe é uma parte importante da sua identidade, mas não precisa ser a única, seu filho não precisa de uma mãe perfeita mas de uma mãe que se cuida emocionalmente .


Psicóloga Maria Luysa Ribeiro do Grupo Suellen Souza

Especialista em terapia cognitivo comportamental e Psicoterapia de família e casal.

(CRP:05/73637)

 
 

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